ArcelorMittal e UFV desenvolvem tecnologia que transforma coprodutos de mineração em solos férteis
Iniciativa em Martinho Campos (MG) aplica o conceito de circularidade para converter insumos minerais e orgânicos em ativos para recuperação ambiental
Iniciativa em Martinho Campos (MG) aplica o conceito de circularidade para converter insumos minerais e orgânicos em ativos para recuperação ambiental
A ArcelorMittal inaugurou o experimento Technosolo, um projeto experimental instalado na unidade de BioFlorestas, em Martinho Campos (MG). O projeto, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ArcelorMittal (Global R&D Brazi) em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), tem como objetivo testar a produção de solos artificiais a partir de coprodutos de mineração combinados com materiais orgânicos.
Atualmente em fase experimental, a iniciativa avalia o uso de resíduos da Mina do Andrade, localizada em Bela Vista de Minas (MG), associados a biofertilizantes, como forma de viabilizar a recuperação de áreas. O estudo verifica a qualidade do solo gerado e sua capacidade de sustentar o crescimento de plantas.
Os testes são realizados em 17 cilindros de aço ArcelorMittal, onde mudas de eucalipto são monitoradas para analisar o desenvolvimento das raízes e as condições do solo ao longo do tempo. Os resultados dessa etapa, que deve ser realizada até 2027, indicarão a viabilidade técnica da aplicação da tecnologia em maior escala.
Segundo Bernardo Rosenthal, diretor de Compras Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal Aços Longos Brasil, o projeto representa uma oportunidade de dar nova destinação a materiais antes sem uso definido, fomentando a economia circular e fortalecendo a sustentabilidade, um dos valores da ArcelorMittal. “A proposta é avaliar, com base científica, como coprodutos da mineração podem ser reaproveitados de forma segura na recuperação ambiental, reduzindo a necessidade de descarte e ampliando alternativas sustentáveis para o setor”, afirma.
Essa iniciativa reforça ainda mais a importância da parceria entre a indústria, instituições de ensino e centros de pesquisas na busca de novas soluções inovadoras e sustentáveis.
Hugo Galvão Cândido, doutor em Botânica, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e pesquisador da relação solo–vegetação, explica que o estudo busca integrar sustentabilidade e economia circular no desenvolvimento do experimento. “Nas nossas pesquisas buscamos incorporar a sustentabilidade e a lógica da economia circular. No experimento, utilizamos coprodutos da mineração combinados com matéria orgânica que muitas vezes seriam descartadas, como lodo de esgoto e restos de alimentos, para estruturar o solo e contribuir para soluções mais sustentáveis.”
Além do potencial ambiental, o espaço inaugurado também funciona como ambiente de pesquisa e aprendizado, aberto à visitação de estudantes, educadores, comunidades, parceiros e profissionais do setor. A expectativa é que o reaproveitamento de coprodutos da mineração contribua para reduzir impactos ambientais e ampliar o conhecimento técnico sobre soluções sustentáveis aplicadas à mineração.
A unidade da BioFlorestas, onde o projeto está instalado, atua na produção de carvão vegetal de florestas plantadas. O insumo é utilizado como alternativa ao carvão mineral na produção de aço, e serve como base para o desenvolvimento de projetos voltados à economia circular.
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